terça-feira, 9 de agosto de 2016

Mário Rocha abandona, mas LA Alumínios quer continuar no pelotão.



Escrito por: Marco Faria

A formação LA Alumínios-Antarte vai abandonar o ciclismo profissional, após a suspensão do seu diretor desportivo, Mário Rocha, que esta segunda-feira se mostrou receoso por a modalidade poder estar a regressar a um passado manchado por escândalos de doping.

"A verdade é que, atualmente, o responsável da LA-Antarte teme que o ciclismo esteja a caminhar para novos escândalos, como os ocorridos em 2008, quando se registou a intervenção e buscas da Polícia Judiciária. Mário Rocha lembra ainda que no caso de 2009, a Liberty Seguros acabou por retirar o seu apoio à equipa, após a descoberta de três escândalos de doping, incluindo o vencedor da Volta a Portugal", pode ler-se no comunicado da formação.

Mário Rocha é o presidente do Clube de Ciclismo de Paredes e diretor desportivo da formação LA Alumínios-Antarte, terminou em termos coletivos no 4º posto na 78ª Volta a Portugal, e teve como melhor representante Amaro Antunes no 6º posto, que foi vencida por Rui Vinhas (W52/FC Porto), comandado por Nuno Ribeiro, vencedor da Volta a Portugal de 2009, que lhe foi retirada por doping.

Nesse mesmo comunicado, Mário Rocha recordou que "pessoas envolvidas nos escândalos de 2008 e 2009 voltaram ao ciclismo nos últimos anos" e que "tal acontece devido à falta de firmeza da Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC), que parece apostada em que a modalidade volte ao passado".

"Perante este cenário, adianta que não estão reunidas as condições para continuar na modalidade, nem como diretor desportivo, nem como presidente do Clube de Ciclismo de Paredes. Como é óbvio, esta tomada de posição leva a que a equipa profissional da LA-Antarte abandone o pelotão nacional", refere o comunicado, realçando que "estão em causa valores como o rigor e a disciplina que devem, para além da obrigatória verdade desportiva, nortear a modalidade".

Um dia depois do final da Volta a Portugal, Mário Rocha justificou a decisão com a passividade da federação.

"Já no final da época transata, numa reunião com a FPC, dei conta, junto do presidente e dos restantes dirigentes, do meu desagrado quanto à forma como a modalidade estava a ser conduzida. Na mesma altura alertei para que se nada mudasse eu abandonaria o ciclismo", sublinhou Mário Rocha.

Mário Rocha assumiu ainda que não pensa voltar ao ciclismo enquanto não houver mudanças profundas, assegurando que "este é o momento para abandonar o ciclismo, de consciência tranquila e cabeça levantada".

No entanto Luís Almeida, patrão da LA Alumínios, e copatrocinador da formação de Paredes, tem intenção de se manter no pelotão nacional. "A nossa vida [LA e Antarte] é independente. Queremos continuar. Estamos a estudar como", frisou.

Já se fala em vários cenários possíveis para a continuidade. "Fala-se de muita coisa. Não há nada em concreto", revelou Luís Almeida. Abraçar um projeto com um nome como o Benfica também não é muito do agrado de Luís Almeida, pois há o receio de ofuscar a empresa com história na modalidade.

O empresário revelou que já tem algumas abordagens feitas no pelotão. E que a solução pode passar por promover uma formação sub-23 a profissional e as hipóteses são Sicasal e Bike Clube de Portugal ou juntar-se a José Santos, atual diretor-desportivo da Rádio Popular-Boavista.

Fonte: Lusa e Record

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